Felisquié Itinerante com ação  no Setembro Amarelo

Depois de ter lançado com grande sucesso a X Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié, dia 28 de agosto, no Museu de Arte da Bahia – MAB em Salvador, a Curadoria do evento literário abre a temporada da Felisquié Itinerante, que consiste na realização de atividades educativas e culturais em comunidades, escolas e universidades como preparativo para a programação oficial que vai acontecer no período de 15 a 17 de outubro.

A primeira ação da Felisquié Itinerante ocorre nesta terça, dia 1 de setembro, às 16h em parceria com o Instituto Laço Amarelo – ILA e o Projeto Páginas Formando Leitores da UESB – Campus de Jequié  e reporta ao Setembro Amarelo, campanha de valorização da vida.

A programação da Felisquié Itinerante será aberta pelo jornalista Domingos Ailton, curador da Felisquié e secretário de Cultura e Turismo, com o tema “O que é a Felisquie?”. Em seguida a psicanalista Mariana Tane falará sobre a importância da leitura para a saúde mental; o Projeto  do Departamento de Ciências Humanas e Letras – DCHL  da UESB – Campus de Jequié   mediará uma roda de leitura do texto “Casado do vestido”, de Carlos Drummond de Andrade, que refere=-se ao abandono e a violência familiar  e os poetas Rico Ayade e Ailana Freitas declamarão poesias.

A próxima ação da Felisquié Itinerante será no Colégio Quilombola Milton Santos na manhã de quarta feira, dia 9 de setembro.

Ascom da Felisquié

Lançamento da X Edição da Felisquié em Salvador

O lançamento em Salvador da X Edição da Felisquié acontece na sexta-feira, dia 28 de agosto, 18h no Auditório do Museu de Arte da Bahia – MAB. Na abertura do evento, o escritor e jornalista Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié e curador da Felisquié, falará sobre os homenageados da X Felisquié: o historiador Emerson Pinto de Araújo e o geógrafo Milton Santo.

O encontro vai reunir em uma mesa literária jequieenses que moram em Salvador, cuja trajetória profissional tem marcado segmentos da cultura e da educação na Bahia: o compositor e cantor Paquito, o músico Beto Martins e os professores Luciano Santos, Maribel Barreto e Cláudia Salomão. A produtora cultural Selma Santo fará a mediação do bate papo literário e o cantor Rapha Mascarenhas, jequieense e estudante do curso de Música da UFBA, fará uma apresentação musical encerrando

Felisquié 2025 resgata história da imigração italiana na cidade de Jequié

Décio Torres Cruz*

A IX Festa Literária Internacional de Jequié (Felisquié 2025) este ano homenageou a comunidade italiana que muito contribuiu para a história da cidade e da região. Com a curadoria de Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho, escritor, jornalista, Secretário de Cultura da cidade e membro da Academia de Letras de Jequié, o lançamento da Felisquié ocorreu em dois momentos distintos, anteriores à própria Festa Literária. O primeiro, no dia 29 de julho de 2025 na Academia de Letras da Bahia, em Salvador. O segundo, na Câmara dos Deputados da cidade de Roma, Itália, com destaque na Rádio Vaticana em 27 de setembro de 2025.
A IX Felisquié aconteceu de 21 a 23 de outubro de 2025 em diferentes partes da cidade. envolveu intensamente a comunidade, alunos, professores, escritores, músicos, cantores, dançarinos, artistas e grupos culturais em uma série de palestras, shows, música, desfile, filmes e lançamentos de livros. Sua rica programação cultural (que pode ser encontrada no site do evento: https://felisquie.com.br/) ficou distribuída entre o Teatro Eunice Paiva (do Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito), a Praça Ruy Barbosa e o Cine São José.

Tive a oportunidade de lançar meu livro Paisagens interiores e sua tradução italiana Paesaggi interiori na Praça Ruy Barbosa, com a presença do meu editor, Nicola Bergamaschi, da Edizioni WE, que também foi um dos convidados da festa e veio diretamente da Itália para a Festa, juntamente com a escritora e antropóloga Patrizia Giancotti e Antonella Rita Roscilli. Além disso, no segundo dia da festa, participei da mesa de bate-papo “De paisagens interiores a histórias roubadas” e fui entrevistado pela escritora e professora universitária Adriana Abreu, quando pude falar de meus livros Paisagens interiores, Histórias roubadas e A poesia da matemática para uma numerosa plateia no Teatro Eunice Paiva, composta de alunos, professores e pessoas da cidade. Neste mesmo evento, li um de meus poemas e fui honrado com a leitura da tradução deste poema (Rituali) pela atriz italiana Anna Giancotti.
A variegada programação da Felisquié tornou esta Festa um grandioso sucesso e uma profícua troca de experiências e aprendizagens. Desejo que ela continue a proporcionar à população de Jequié este importante encontro com a história, cultura, e com as artes literárias, musicais, performáticas e fílmicas.

O resgate de uma história apagada
Algumas observações devem ser feitas em relação ao tema central da festa. Embora a imigração europeia e japonesa tenha ocorrido em diferentes épocas também no Nordeste brasileiro, principalmente no estado da Bahia, muito pouco dela se fala, talvez devido ao fato de que a população ítalo-brasileira tenha preferido se mesclar à cultura local mais intensamente do que nas outras regiões do país onde ela também ocorreu, deixando que o Sul e o Sudeste reivindiquem com orgulho para seus estados este fato histórico e, preconceituosamente, tentam apagar a sua presença na formação cultural do povo nordestino. Há escassos estudos sobre o tema, mas aos poucos esta história vem sendo resgatada, principalmente com os estudos desenvolvidos pelas universidades baianas e de outros estados.

O projeto Memórias dos imigrantes japoneses do Nordeste, realizado pela ANISA, com produção do Grupo Yuugen e apoio do Consulado Geral do Japão no Recife, busca recuperar parte desta história esquecida das colônias japonesas, que foram criadas pelo governo brasileiro entre os anos de 1953 e 1962 a fim de povoar e desenvolver áreas improdutivas e praticamente abandonadas. Na Bahia, estas colônias japonesas se concentraram, a princípio, nas cidades de Una, Ituberá e no Núcleo Juscelino Kubitschek em Mata de São João.
Já a imigração italiana apresenta alguns poucos estudos, embora substanciais, como a brevíssima resenha histórica “A emigração italiana para a Bahia”, do Professor Giuseppe Federico Benedini da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), publicada na Revista Fênix História e Estudos Culturais (2013). O autor fundamenta sua pesquisa na bibliografia produzida por autores brasileiros e peninsulares. Aborda o período desde a Unificação Nacional Italiana até a chegada do último grande grupo de emigrantes na Bahia, em meados do século XX, com enfoque nos contextos das relações internacionais e da história regional e local. Benedini examina as diversas contribuições italianas na indústria, no comércio, nas artes e na agricultura e cita a obra pioneira de Thales de Azevedo, Italianos na Bahia e outros temas (1989). Segundo Benedini, a partir de 1855, quando se gestava a unificação nacional italiana, a polícia portuária de Salvador registrou um decisivo aumento dos italianos em Salvador, muitos deles vindos, com outros europeus, trabalhar para empresas de capital inglês que estavam investindo no setor dos transportes ferroviários devido às boas relações da região do Piemonte com a Inglaterra. Cerca de 912 operários foram recrutados em Turim pela companhia que construiu a linha de Salvador até o São Francisco. Os primeiros emigrantes aportaram em 1858 e, no ano seguinte, se somaram a eles outros 240 que foram alojados na fazenda “São Tomé de Paripe”. Entre 1856 e 1864 desembarcaram em Salvador 1.622 portugueses, 1.267 italianos, 661 ingleses, 299 alemães e 281 franceses.

Outras obras sobre o assunto incluem o livro A Itália no Nordeste (1992), de Manuel Correia de Andrade. A dissertação de Cataline Carvalho Mascarenhas, Jequié-Bahia: História e Memória na sequência didática para o ensino de História (2024) refere-se à imigração italiana e à cidade de Trecchina nas ilustrações, apenas com pequenos parágrafos explicativos, sem dedicar um capítulo especial ao tema. Na tese de Aldo José Morais Silva, Instituto Geográfico e Histórico Da Bahia Origem e Estratégias de Consolidação Institucional 1894 – 1930 (2012), o autor afirma que desde o início do século XIX, a Bahia era o destino de estrangeiros no Brasil. Silva menciona as colônias italianas formadas durante o Império, que não se limitaram à capital, estabelecendo-se, ainda, em cidades interioranas como Conceição do Almeida, Jequié, Jaguaquara, Poções e Morro do Chapéu (em 1909, o primeiro prefeito de Morro do Chapéu, município da Chapada Diamantina, chamava-se Vincenzo Grassi). Nazaré das Farinhas e o Vale do Jequiriçá também aparecem como locais de colônia italiana neste estudo. O autor também menciona Thales de Azevedo. Contudo, a obra de Azevedo citada, em alguns trechos, reflete um pensamento colonialista e colonizado, como aquele ainda demonstrado por muitos brasileiros nossos contemporâneos, que veem o europeu como um ser superior aos nativos que consideram “atrasados”.

Na tese de doutorado Marcas identitárias: presença italiana no sertão da Bahia (1878-1910), a professora Luzia Landim (2012) se utiliza de parte da obra A Nova História de Jequié, de Émerson Pinto de Araújo para enfocar a imigração italiana no Sudoeste baiano na Jequié do período de 1878 a 1910. Destaca que no ano de 1927, a embaixada da Itália designou cônsul e vice-cônsul em Jequié e menciona os impactos da imigração italiana no município, provocando algumas mudanças substanciais nas formas identitárias em confronto naquela época.

A dissertação de mestrado de Antonio Bispo Marcelo Neto que investiga “A presença negra em A Nova História de Jequié do memorialista Emerson Pinto de Araújo”, defendida na UEFS, também aponta a presença italiana na região no livro deste autor estudado, juntamente com os povos indígenas, os sertanistas, negros escravizados, colonizadores italianos e árabes, tropeiros e boiadeiros, coronéis, jagunços, partidos políticos, lideranças políticas e religiosas, coronéis, comerciantes, escritores e jornalistas.

É importante que a população de Jequié continue a preservar sua história, não só aquela dos colonos italianos, mas de todos os povos autóctones, escravizados e migrantes de outras partes que contribuíram para a sua formação humana, econômica, educacional e sócio-cultural. E que as futuras Felisquiés continuem a contribuir não só para o desenvolvimento da literatura, mas, também, para o resgate da história local, estadual e nacional.

 

Antonella Rita Roscilli na IX edição da Feira Literária “Felisquié”

A escritora italiana Antonella Rita Roscilli voltou ao Brasil nesse ano, pela primeira vez em Jequié, convidada pela Secretaria de Cultura e Turismo, para abrir oficialmente a IX Felisquié com uma sua palestra. Pesquisadora, jornalista, tradutora e acadêmica, Antonella Rita è membro Correspondente pela Itália da Academia de Letras da Bahia-ALB e do Instituto Geográfico Histórico-IGHB, Vice Presidente do ASIB (Associazione Stampa Italiana in Brasile) pela região Lazio, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia-UFBA, Diretora editorial da Revista italiana bilingue “Sarapegbe”. Foi agraciada com a “Medalha Imperatriz Teresa Cristina di Borbone” pela Embaixada do Brasil em Roma pelo seu empenho em divulgar a cultura brasileira na Itália e na Europa. Se formou na Itália em Lingua e Literatura brasileira e africana de lingua portuguesa. A palestra em português teve como título “Um ítalo-brasileiro filho de Trecchina e de Jequié: homenagem ao Sante Scaldaferri”. A seguir, foi exibido o Documentário “Sante Scaldaferri”, de Cícero Bathomarco, e teve uma importante Cerimônia de Premiação, com a partecipação do Prefeito Zé Cocá, em que Antonella Rita esteve representando D. Marina Scaldaferri, víuva do renomado artista. De fato, por ocasião da Felisquié, foi instituído o primeiro “Prêmio Sante Scaldaferri”, um concurso de pintura, para homenagear um dos maiores artistas visuais do Brasil, filho de italianos de Trecchina: Teresa Conte Vita e Ferdinando Scaldaferri. O pai dele foi o primeiro Vice-Cônsul italiano na Bahia e recebeu o Príncipe do Piemonte Umberto de Sabóia durante sua viagem na América do Sul. No mesmo dia, 21 de outubro, Roscilli realizou uma Oficina Literária na Felisquiezinha, dedicada à literatura infantojuvenil, com curadoria da dr.a Jeane Freire. Durante a oficina, leu seu conto “O pulsar do coração” para crianças de 6 a 10 anos de diversas escolas públicas. O conto é baseado em seu livro bilíngue “Storia di un Pino di cittá ed altri racconti”, publicado na Itália por Antonio Dellisanti Editore e, a seguir, teve um debate.
No dia 23 de outubro, ela proferiu mais uma palestra em português, intitulada “Zélia Gattai Amado e a reconstrução memorial da emigração italiana no Brasil” com a mediação da prof.a, adv. e poeta Ailana Freitas. Com esta palestra ela quis homenagear a escritora ítalo-brasileira, esposa de Jorge Amado, filha e neta de emigrantes italianos, cuja biógrafa é Antonella Rita. Durante esta Feira Literária no Brasil, também lançou sua obra “Zélia Gattai Amado e a Emigração Italiana no Brasil”, publicada na Itália pela Cosmo Iannone, lançada em Brasília na UnB, para a abertura da “25a Settimana della Lingua italiana nel mondo”, junto com o Embaixador da Itália no Brasil S.E Alessandro Cortese. No Brasil, sua versão original foi publicada pela editora universitária Edufba.
Entre os italianos homenageados pelo Secretário da Cultura e Turismo Domingos Ailton, esteve também Siro Lilli (1902-1933), médico italiano que està fazendo parte das pesquisas de Antonella Rita Roscilli. Ele viveu por vários anos no sertão baiano, em Jequié, onde abriu o primeiro ambulatório da cidade, dedicando-se incansavelmente ao atendimento de indígenas e moradores locais. Ele continuou seu trabalho como médico e cirurgião mesmo quando uma grave epidemia de tifo tropical eclodiu. Conseguiu salvar muitas vidas, mas, ao mesmo tempo, foi infectado: ele próprio contraiu tifo, que rapidamente o levou à morte. Tinha apenas 30 anos e deixou uma viúva desesperada e três criancinhas. A vida desse médico està entre as principais pesquisas de Antonella Rita Roscilli mais importantes desse ano. 

 

Patrizia Giancotti no Felisquié

A antropóloga – fotógrafa Patrizia Giancotti volta ao Brasil depois de muitos anos. A convite da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié, a pesquisadora que com exposições, palestras, livros, reportagens e programas no Rádio Nacional da Itália, valorizou a cultura da Bahia, e que recebeu a condecoração do Cruzeiro do Sul por conta dos seus trabalhos de divulgação cultural, volta para terra, onde protagonizará palestras sobre os intercâmbios culturais entre Brasil e Itália.

Nesta ocasião ela apresentara palestras com projeção de imagens como “Histórias de uma valiosa contribuição” homenageando italianos relacionados culturalmente ao Brasil, “Visões do Brasil na Itália” com o relato dos trabalhos sobre o Brasil desenvolvidos na Itália, incluindo as obras dos seus alunos da Academia de Belas Artes sobre a cultura da Bahia. Por fim, com a apresentação “Na rota das Sereias”, esta ligação entre os dois países vai para o lado do mito e da espiritualidade, conectando o Sul da Itália com a Bahia, tradições da antiguidade a rituais contemporâneos.

Felisquié no noticiário italiano de 26 de setembro, na Rádio Vaticana.




Noticiário italiano de 26 de setembro, na Rádio Vaticana, ao minuto 8.15 c. , depois da voz de Papa Leone, podem ouvir uma reportagem em que se fala do evento na Câmara dos Deputados que aconteceu aem Roma, migração italiana, Jequié, Trecchina, Sante Scaldaferri e o Prêmio a ele entitulado na Felisquié.

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IX Felisquié lançada em Salvador

Com a presença do presidente da Academia de Letras da Bahia, Aleilton Fonseca, do assessor chefe da Fundação Pedro Calmon, Anielson Santo, representando o órgão estadual, do vereador de Salvador do Partido Verde, André Fraga e do secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié, Domingos Ailton, além de professores, artistas e profissionais liberais, foi lançada na noite de terça feira, 29 de julho, a IX Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié na sede da Academia de Letras da Bahia em Salvador.

Ao abrir o evento, dando boas vindas aos participantes, o presidente da Academia de Letras da Bahia, Aleilton Fonseca, destacou a história da Felisquié como um das mais importantes festas literárias da Bahia, que reúne escritores e outros fazedores da Cultura da Bahia, de outras estados brasileiros e do exterior.

O secretário de Cultura e Turismo, Domingos Ailton, agradeceu a Academia de Letras da Bahia por sediar o lançamento da Felisquié e aos palestrantes do evento, convidando o público presente para ir a Jequié prestigiar a programação oficial da festa literária no período de 21 a 23 de outubro.

Mediada pelo jornalista Elieser César, a mesa literária do lançamento da Felisquié teve início com a palestra da escritora e embaixadora da paz, Maribel Barreto falou sobre os diferentes níveis de consciência e da publicação do seu livro na Itália.

A escritora e produtora literária, Simone Adivincula, reportou as ações de promoção e intercâmbio cultural entre brasileiros e italianos.

Descendente de italianos de Trecchina, estudioso da emigração italiana e guardião de um acervo sobre o tema, o pesquisador Eduardo Sarno revelou as características dos emigrantes italianos, que foram empreendedores e incentivadores da população local para o plantio de produtos agrícolas como cacau, café e fumo, que não eram cultivados em regiões como Poções e Jequié.

Para Eduardo Sarno três fatores contribuíram para adaptação dos italianos ao interior baiano: a língua neolatina, com palavras de facil tradução o idioma italiano e a língua portuguesa; o catolicismo que unia italianos e brasileiros e a cultura europeia, que também ligava os emigrantes a população local.

Ao contrário de Salvador em que os italianos viviam dispersos, no interior baiano estavam reunidos em colônia e havia uma rede de solidariedade entre eles destacou Eduardo Sarno.

O pesquisador apontou a contribuição em diversas áreas, sendo pioneiros em usina de energia, fábrica de gasosa e cinema. Criaram a organização cultural Cassemiro de Abreu e comemoraram a abolição da escravatura em Jequié.

O escritor Domingos Ailton disse que o tema da Felisquié são as relações culturais entre italianos e baianos porque não houve apenas ações econômicas, mas troca de saberes entre os imigrantes e a população local, destacando que Carlos Marotta quando chegou a Jequié ainda adolescente de 14 anos tinha conhecimento intelectual e transmitiu para os nativos como também deve ter adquirido saberes da cultura popular das matas e do sertão de Jequié.

Respondendo pergunta do público, Domingos Ailton acredita que italianos escolheram Jequié para viver porque viram o local como região geograficamente bem localizada, sendo ao mesmo tempo borda da mata e boca do sertão, contando com uma rica biodiversidade formada pela Mata Atlântica, Caatinga e Mata de Cipó e entreposto comercial, sendo pouso para boiadeiros, tropeiros e mascates.

A Felisquié é coordenada pela Comissão Organizadora e Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié em parceria com o SESC, UESB, ACJ e NTE 22.

Prefeitura de Jequié promove “Felisquié Itinerante” e prepara 7ª edição do evento que vai celebrar 80 anos de Waly Salomão

A Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, a Felisquié, entra na sua sétima edição, contando com a realização da Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Cultura e Turismo, comissão organizadora, em parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), demais órgãos e instituições. A Felisquié celebrará os 80 anos de nascimento do poeta, compositor, ator, produtor e agitador cultural, o jequieense Waly Salomão e será realizada no período de 1 a 3 de setembro em espaços culturais da cidade como o   Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães, o auditório Waly Salomão, na UESB/Campus de Jequié, no Museu Histórico João Carlos Borges e em locais públicos onde o poeta percorreu durante sua vida.

Segundo o curador da Felisquié e secretário de Cultura e Turismo, Domingos Ailton, para incentivar os estudantes a conhecerem a vida e a obra do autor estão sendo realizadas nas escolas do município a “Felisquié Itinerante”. Nesta terça-feira, 1 de agosto, o encontro foi no Colégio Modelo Paulo Freire. Além de conhecer um pouco mais sobre a trajetória de Waly Salomão, os alunos tiveram a oportunidade de realizar apresentações artísticas sobre a diversidade cultural do poeta jequieense.

Para a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié já estão confirmadas as presenças do poeta, designer e cenógrafo Omar Salomão, filho do homenageado; e da   gaúcha Manoela Sawitzki,   doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade (PUC-Rio), escritora, roteirista e jornalista, do escritor   Roberto Martins; e da cantora Adriana Calcanhotto que, acompanhada do músico Pedro Sá e  com mediação de Omar Salomão, fará um papo musical com canções, poesia e conversa sobre a vivência com Waly Salomão.

Nesta edição do evento, está programada a realização de um cortejo literário, que percorrerá a Avenida Alves, com a participação da cantora Sylvia Patrícia, entoando canções cujas letras são de autoria do Way Salomão, além de muitas outras atividades e mobilizações que acontecerão durante os três dias da VII edição da Felisquié.