
A Comissão Organizadora da X Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié (Felisquié) convida toda a comunidade a realizar sua inscrição para acompanhar as palestras, apresentações culturais e demais atividades da programação acadêmica da 10ª edição do evento, que será realizada de 15 a 17 de outubro de 2026.
Para participar, acesse www.felisque.com.br consulte a programação, escolha as atividades que deseja acompanhar e preencha o formulário de inscrição.
Você também pode obter informações pela página oficial no Instagram: @felisqueioficial.
Participe desse encontro de literatura, cultura e conhecimento! 📚
Inscrição Programação Acadêmica
A Comissão Organizadora e todos os parceiros da X Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié convida toda a população para participar da programação da 10ª edição do evento, que será realizada de 15 a 17 de outubro de 2026, em Jequié.
Com o tema “Jequié nas páginas de Emerson Pinto de Araújo e Milton Santos”, a Felisquié reunirá literatura, cultura, conhecimento, palestras, encontros e apresentações culturais, celebrando a produção literária e a memória de importantes referências para a história e a cultura de nossa cidade.
📚 Participe da programação!
Consulte a agenda de atividades, escolha os eventos que deseja acompanhar e faça sua inscrição para garantir sua participação.
🌐 Inscrições e programação:
www.felisque.com.br


EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO N.º 001/2026– FELISQUIÉ
CHAMADA PÚBLICA PARA PARTICIPAÇÃO NA SESSÃO COM A PALAVRA O ESCRITOR E DO LANÇAMENTO DE LIVROS DE AUTORES(AS) NA 10ª EDIÇÃO DA FELISQUIÉ
A Comissão Organizadora da X Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié- Felisquié, torna público para conhecimento dos interessados, pessoas físicas, o presente Edital de Chamada Pública para participação na Sessão Com a palavra o escritor e no lançamento coletivo de livros de autores(as) na 10ª edição da Felisquié, que será realizada no período de 15 a 17 de outubro de 2026.
1. OBJETO
Constitui objeto desta Chamada Pública, realizar as inscrições para participação na Sessão Com a palavra o escritor e no lançamento coletivo de livros de autores(as) na 10ª edição da Felisquié.
2. DAS INSCRIÇÕES
2.1 A inscrição para participar da Sessão Com a palavra o escritor e do lançamento coletivo de livros, na 10ª Felisquié, é gratuita e deverá ser realizada no período de 21 a 30 de setembro de 2026 através do email jequiefelisquie@gmail.com
2.2 Requisitos necessários para a inscrição da obra:
a) Ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada.
b) Sinopse da obra.
c) Minibio do(a) autor(a).
PARÁGRAFO ÚNICO – A Comissão Organizadora não se responsabiliza por logística de transporte, hospedagem e alimentação dos autores selecionados.
3. PARTICIPAÇÃO NA SESSÃO COM A PALAVRA O ESCRITOR
3.1 Cada autor(a) terá 10 minutos para apresentar uma síntese de sua obra e de sua trajetória literária na Sessão Com a palavra o escritor.
3.2. A participação do escritor(a) na Sessão Com a palavra o escritor ocorrerá na Praça Rui Barbosa e na Câmara de Vereadores de Jequié em dia e horário que serão definidos pela Comissão Organizadora.
3.3 – A divulgação de cada autor(a) constará na programação das Sessões Com a palavra o escritor.
4. DO LANÇAMENTO
4.1 Os lançamentos de livros na 10ª Edição da Felisquié serão realizados em formato coletivo na Feira do Livro da Felisquié, na Praça Rui Barbosa.
4.2 Cada autor(a) selecionado será informado do dia e horário para seu lançamento através da Comissão Organizadora.
4.3 O(a) autor(a) deverá chegar ao espaço de lançamento com, no mínimo, 15 minutos de antecedência, para organização da venda e autógrafo de sua obra, que será em espaço reservado com mesa e cadeira na Feira do Livro.
4.4 . A venda de livros é de responsabilidade de cada escritor(a).
4.6 A divulgação das obras que serão lançadas, acontecerá na programação da Feira do Livro.
Jequié-BA, 19 de setembro de 2026
COMISSÃO ORGANIZADORA DA FELISQUIÉ
Ficha de Inscrição
Clique para baixar a Ficha de Inscrição no formato PDF.

Por Alicia Lopes Araújo
Esse duplo fio que tece memórias e horizontes
Quase velado, há um fio que une os Apeninos lucanos ao sertão baiano: Trecchina, na Basilicata, e Jequié, no Brasil. Duas terras distantes se encontram num entrelaçamento vivo de memórias e esperanças, dando origem a um tecido de migração e identidade, arte e cultura. Aqui, os fios de uma história silenciosa e laboriosa da emigração italiana e sua transformação criativa se unem, materializados na obra do ítalo-brasileiro Sante Scaldaferri (1928-2016). Entre os maiores pintores brasileiros contemporâneos, além de gravador, ator, cenógrafo e professor, ele foi uma figura central na cena cultural baiana, capaz de transformar a memória coletiva em linguagem artística. Suas obras — expostas no Brasil, na Itália e em diversos contextos internacionais — contam o vínculo indissolúvel entre raízes e horizontes, entre o Sul da Itália e o Sul Global.
Filho de emigrantes de Trecchina — uma presença lucaniana que impactou profundamente o desenvolvimento econômico e cultural da cidade de Jequié, no sul da Bahia —, Scaldaferri é hoje reconhecido como um símbolo de um diálogo frutífero entre dois povos. Embora sua família tenha se estabelecido em Jequié, ele nasceu na capital baiana, Salvador. Quando tinha um ano e meio de idade, seu pai adoeceu, e sua família decidiu retornar a Trecchina, retornando ao Brasil somente após a morte do pai. Ele guardou poucas lembranças daqueles anos, incluindo férias em Maratea e uma estadia em Nápoles. Os laços familiares e comunitários próximos, no entanto, não são um mero detalhe: a história da colônia italiana em Jequié, a maioria dos quais veio da aldeia lucaniana aninhada entre bosques e montanhas, é parte integrante de sua identidade, assim como para muitos de nossos compatriotas no Brasil. A conferência “Jequié e Trecchina: Uma Ponte Cultural entre Itália e Brasil”, que será realizada na Sala de Imprensa da Câmara dos Deputados no dia 15 de outubro, se enquadra nesse contexto.
A iniciativa — promovida pelos deputados Christian Di Sanzo e Fabio Porta, em colaboração com a Associação de Amizade Itália-Brasil — dedica-se às relações culturais entre os dois países à luz da emigração italiana para o Estado da Bahia, com especial referência à cidade homônima, fundada por pioneiros lucanos que partiram após as grandes ondas migratórias entre os séculos XIX e XX.
Domingos Ailton, historiador e vereador de Cultura e Turismo de Jequié, palestrará no encontro. Ele está na Itália para fortalecer a irmandade entre as duas cidades e apresentar a 9ª edição da Felisquié (Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié), da qual também é curador. Realizado de 21 a 23 de outubro, o festival deste ano homenageia a memória dos emigrantes italianos e seus descendentes, que contribuíram para o desenvolvimento sociocultural local, com o lançamento do Prêmio Sante Scaldaferri, instituído com o apoio da Prefeitura Municipal de Jequié. A premiação une a literatura às artes visuais e homenageia um artista capaz de “escrever” e divulgar a região com pincéis, madeira e tecelagem.
O Prêmio complementa uma programação que promete criar um mosaico ítalo-bayan que vá além da celebração e se torne política cultural. Os premiados serão três artistas de Jequié, que criarão obras em painéis inspirados em construções históricas construídas por italianos no município: a Casa Confiança (primeira cooperativa entre emigrantes), o Edifício Grillo (símbolo da modernidade e prosperidade da cidade) e a Fazenda Provisão (responsável pela introdução do primeiro gado de raça pura e pela organização das primeiras exposições agropecuárias do município).
Em Jequié, os italianos, muitas vezes vindos do Vale do Noce com sonhos de um futuro melhor, trouxeram comércio, manufatura, cinema e vida cívica para esta área, desconhecida até poucos anos antes. Mesmo assim, mantiveram o nome tupi original, dado pelos povos indígenas que constituem um dos pilares fundamentais da identidade cultural brasileira atual.
A construção da ferrovia de Jequié a Nazaré impulsionou ainda mais o crescimento. Assim nasceu o chamado “Sistema Trecchina”, como era definido em algumas universidades brasileiras: um modelo de cooperação entre conterrâneos que, no sertão baiano, construíram uma sólida rede de solidariedade, diferentemente do que acontecia em Salvador, onde os italianos viviam espalhados por todo o país. Muitos eram empreendedores e incentivaram a população local a plantar cacau, café e tabaco, que antes eram incultos, causando assim um impacto duradouro na região. Famílias como os Rotondanos, os Grillos, os Orricos e os próprios Scaldaferris estão presentes na toponímia e nas crônicas econômicas da época.
A trajetória artística de Scaldaferri narra uma Bahia em ebulição e a cultura popular do nordeste, com beatos e místicos, santos e romeiros, vaqueiros.
Reportagem sobre a conferência que Domingos Ailton fez em em Roma, que saiu no Observatório Romano, jornal do Vaticano.
Matéria do site: https://www.osservatoreromano.va/it/news/2025-09/quo-210/quel-doppio-filo-che-tesse-memorie-e-orizzonti.html