Felisquié 2025 resgata história da imigração italiana na cidade de Jequié

Décio Torres Cruz*

A IX Festa Literária Internacional de Jequié (Felisquié 2025) este ano homenageou a comunidade italiana que muito contribuiu para a história da cidade e da região. Com a curadoria de Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho, escritor, jornalista, Secretário de Cultura da cidade e membro da Academia de Letras de Jequié, o lançamento da Felisquié ocorreu em dois momentos distintos, anteriores à própria Festa Literária. O primeiro, no dia 29 de julho de 2025 na Academia de Letras da Bahia, em Salvador. O segundo, na Câmara dos Deputados da cidade de Roma, Itália, com destaque na Rádio Vaticana em 27 de setembro de 2025.
A IX Felisquié aconteceu de 21 a 23 de outubro de 2025 em diferentes partes da cidade. envolveu intensamente a comunidade, alunos, professores, escritores, músicos, cantores, dançarinos, artistas e grupos culturais em uma série de palestras, shows, música, desfile, filmes e lançamentos de livros. Sua rica programação cultural (que pode ser encontrada no site do evento: https://felisquie.com.br/) ficou distribuída entre o Teatro Eunice Paiva (do Colégio Estadual Luiz Navarro de Brito), a Praça Ruy Barbosa e o Cine São José.

Tive a oportunidade de lançar meu livro Paisagens interiores e sua tradução italiana Paesaggi interiori na Praça Ruy Barbosa, com a presença do meu editor, Nicola Bergamaschi, da Edizioni WE, que também foi um dos convidados da festa e veio diretamente da Itália para a Festa, juntamente com a escritora e antropóloga Patrizia Giancotti e Antonella Rita Roscilli. Além disso, no segundo dia da festa, participei da mesa de bate-papo “De paisagens interiores a histórias roubadas” e fui entrevistado pela escritora e professora universitária Adriana Abreu, quando pude falar de meus livros Paisagens interiores, Histórias roubadas e A poesia da matemática para uma numerosa plateia no Teatro Eunice Paiva, composta de alunos, professores e pessoas da cidade. Neste mesmo evento, li um de meus poemas e fui honrado com a leitura da tradução deste poema (Rituali) pela atriz italiana Anna Giancotti.
A variegada programação da Felisquié tornou esta Festa um grandioso sucesso e uma profícua troca de experiências e aprendizagens. Desejo que ela continue a proporcionar à população de Jequié este importante encontro com a história, cultura, e com as artes literárias, musicais, performáticas e fílmicas.

O resgate de uma história apagada
Algumas observações devem ser feitas em relação ao tema central da festa. Embora a imigração europeia e japonesa tenha ocorrido em diferentes épocas também no Nordeste brasileiro, principalmente no estado da Bahia, muito pouco dela se fala, talvez devido ao fato de que a população ítalo-brasileira tenha preferido se mesclar à cultura local mais intensamente do que nas outras regiões do país onde ela também ocorreu, deixando que o Sul e o Sudeste reivindiquem com orgulho para seus estados este fato histórico e, preconceituosamente, tentam apagar a sua presença na formação cultural do povo nordestino. Há escassos estudos sobre o tema, mas aos poucos esta história vem sendo resgatada, principalmente com os estudos desenvolvidos pelas universidades baianas e de outros estados.

O projeto Memórias dos imigrantes japoneses do Nordeste, realizado pela ANISA, com produção do Grupo Yuugen e apoio do Consulado Geral do Japão no Recife, busca recuperar parte desta história esquecida das colônias japonesas, que foram criadas pelo governo brasileiro entre os anos de 1953 e 1962 a fim de povoar e desenvolver áreas improdutivas e praticamente abandonadas. Na Bahia, estas colônias japonesas se concentraram, a princípio, nas cidades de Una, Ituberá e no Núcleo Juscelino Kubitschek em Mata de São João.
Já a imigração italiana apresenta alguns poucos estudos, embora substanciais, como a brevíssima resenha histórica “A emigração italiana para a Bahia”, do Professor Giuseppe Federico Benedini da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), publicada na Revista Fênix História e Estudos Culturais (2013). O autor fundamenta sua pesquisa na bibliografia produzida por autores brasileiros e peninsulares. Aborda o período desde a Unificação Nacional Italiana até a chegada do último grande grupo de emigrantes na Bahia, em meados do século XX, com enfoque nos contextos das relações internacionais e da história regional e local. Benedini examina as diversas contribuições italianas na indústria, no comércio, nas artes e na agricultura e cita a obra pioneira de Thales de Azevedo, Italianos na Bahia e outros temas (1989). Segundo Benedini, a partir de 1855, quando se gestava a unificação nacional italiana, a polícia portuária de Salvador registrou um decisivo aumento dos italianos em Salvador, muitos deles vindos, com outros europeus, trabalhar para empresas de capital inglês que estavam investindo no setor dos transportes ferroviários devido às boas relações da região do Piemonte com a Inglaterra. Cerca de 912 operários foram recrutados em Turim pela companhia que construiu a linha de Salvador até o São Francisco. Os primeiros emigrantes aportaram em 1858 e, no ano seguinte, se somaram a eles outros 240 que foram alojados na fazenda “São Tomé de Paripe”. Entre 1856 e 1864 desembarcaram em Salvador 1.622 portugueses, 1.267 italianos, 661 ingleses, 299 alemães e 281 franceses.

Outras obras sobre o assunto incluem o livro A Itália no Nordeste (1992), de Manuel Correia de Andrade. A dissertação de Cataline Carvalho Mascarenhas, Jequié-Bahia: História e Memória na sequência didática para o ensino de História (2024) refere-se à imigração italiana e à cidade de Trecchina nas ilustrações, apenas com pequenos parágrafos explicativos, sem dedicar um capítulo especial ao tema. Na tese de Aldo José Morais Silva, Instituto Geográfico e Histórico Da Bahia Origem e Estratégias de Consolidação Institucional 1894 – 1930 (2012), o autor afirma que desde o início do século XIX, a Bahia era o destino de estrangeiros no Brasil. Silva menciona as colônias italianas formadas durante o Império, que não se limitaram à capital, estabelecendo-se, ainda, em cidades interioranas como Conceição do Almeida, Jequié, Jaguaquara, Poções e Morro do Chapéu (em 1909, o primeiro prefeito de Morro do Chapéu, município da Chapada Diamantina, chamava-se Vincenzo Grassi). Nazaré das Farinhas e o Vale do Jequiriçá também aparecem como locais de colônia italiana neste estudo. O autor também menciona Thales de Azevedo. Contudo, a obra de Azevedo citada, em alguns trechos, reflete um pensamento colonialista e colonizado, como aquele ainda demonstrado por muitos brasileiros nossos contemporâneos, que veem o europeu como um ser superior aos nativos que consideram “atrasados”.

Na tese de doutorado Marcas identitárias: presença italiana no sertão da Bahia (1878-1910), a professora Luzia Landim (2012) se utiliza de parte da obra A Nova História de Jequié, de Émerson Pinto de Araújo para enfocar a imigração italiana no Sudoeste baiano na Jequié do período de 1878 a 1910. Destaca que no ano de 1927, a embaixada da Itália designou cônsul e vice-cônsul em Jequié e menciona os impactos da imigração italiana no município, provocando algumas mudanças substanciais nas formas identitárias em confronto naquela época.

A dissertação de mestrado de Antonio Bispo Marcelo Neto que investiga “A presença negra em A Nova História de Jequié do memorialista Emerson Pinto de Araújo”, defendida na UEFS, também aponta a presença italiana na região no livro deste autor estudado, juntamente com os povos indígenas, os sertanistas, negros escravizados, colonizadores italianos e árabes, tropeiros e boiadeiros, coronéis, jagunços, partidos políticos, lideranças políticas e religiosas, coronéis, comerciantes, escritores e jornalistas.

É importante que a população de Jequié continue a preservar sua história, não só aquela dos colonos italianos, mas de todos os povos autóctones, escravizados e migrantes de outras partes que contribuíram para a sua formação humana, econômica, educacional e sócio-cultural. E que as futuras Felisquiés continuem a contribuir não só para o desenvolvimento da literatura, mas, também, para o resgate da história local, estadual e nacional.

 

Antonella Rita Roscilli na IX edição da Feira Literária “Felisquié”

A escritora italiana Antonella Rita Roscilli voltou ao Brasil nesse ano, pela primeira vez em Jequié, convidada pela Secretaria de Cultura e Turismo, para abrir oficialmente a IX Felisquié com uma sua palestra. Pesquisadora, jornalista, tradutora e acadêmica, Antonella Rita è membro Correspondente pela Itália da Academia de Letras da Bahia-ALB e do Instituto Geográfico Histórico-IGHB, Vice Presidente do ASIB (Associazione Stampa Italiana in Brasile) pela região Lazio, pesquisadora da Universidade Federal da Bahia-UFBA, Diretora editorial da Revista italiana bilingue “Sarapegbe”. Foi agraciada com a “Medalha Imperatriz Teresa Cristina di Borbone” pela Embaixada do Brasil em Roma pelo seu empenho em divulgar a cultura brasileira na Itália e na Europa. Se formou na Itália em Lingua e Literatura brasileira e africana de lingua portuguesa. A palestra em português teve como título “Um ítalo-brasileiro filho de Trecchina e de Jequié: homenagem ao Sante Scaldaferri”. A seguir, foi exibido o Documentário “Sante Scaldaferri”, de Cícero Bathomarco, e teve uma importante Cerimônia de Premiação, com a partecipação do Prefeito Zé Cocá, em que Antonella Rita esteve representando D. Marina Scaldaferri, víuva do renomado artista. De fato, por ocasião da Felisquié, foi instituído o primeiro “Prêmio Sante Scaldaferri”, um concurso de pintura, para homenagear um dos maiores artistas visuais do Brasil, filho de italianos de Trecchina: Teresa Conte Vita e Ferdinando Scaldaferri. O pai dele foi o primeiro Vice-Cônsul italiano na Bahia e recebeu o Príncipe do Piemonte Umberto de Sabóia durante sua viagem na América do Sul. No mesmo dia, 21 de outubro, Roscilli realizou uma Oficina Literária na Felisquiezinha, dedicada à literatura infantojuvenil, com curadoria da dr.a Jeane Freire. Durante a oficina, leu seu conto “O pulsar do coração” para crianças de 6 a 10 anos de diversas escolas públicas. O conto é baseado em seu livro bilíngue “Storia di un Pino di cittá ed altri racconti”, publicado na Itália por Antonio Dellisanti Editore e, a seguir, teve um debate.
No dia 23 de outubro, ela proferiu mais uma palestra em português, intitulada “Zélia Gattai Amado e a reconstrução memorial da emigração italiana no Brasil” com a mediação da prof.a, adv. e poeta Ailana Freitas. Com esta palestra ela quis homenagear a escritora ítalo-brasileira, esposa de Jorge Amado, filha e neta de emigrantes italianos, cuja biógrafa é Antonella Rita. Durante esta Feira Literária no Brasil, também lançou sua obra “Zélia Gattai Amado e a Emigração Italiana no Brasil”, publicada na Itália pela Cosmo Iannone, lançada em Brasília na UnB, para a abertura da “25a Settimana della Lingua italiana nel mondo”, junto com o Embaixador da Itália no Brasil S.E Alessandro Cortese. No Brasil, sua versão original foi publicada pela editora universitária Edufba.
Entre os italianos homenageados pelo Secretário da Cultura e Turismo Domingos Ailton, esteve também Siro Lilli (1902-1933), médico italiano que està fazendo parte das pesquisas de Antonella Rita Roscilli. Ele viveu por vários anos no sertão baiano, em Jequié, onde abriu o primeiro ambulatório da cidade, dedicando-se incansavelmente ao atendimento de indígenas e moradores locais. Ele continuou seu trabalho como médico e cirurgião mesmo quando uma grave epidemia de tifo tropical eclodiu. Conseguiu salvar muitas vidas, mas, ao mesmo tempo, foi infectado: ele próprio contraiu tifo, que rapidamente o levou à morte. Tinha apenas 30 anos e deixou uma viúva desesperada e três criancinhas. A vida desse médico està entre as principais pesquisas de Antonella Rita Roscilli mais importantes desse ano. 

 

Patrizia Giancotti no Felisquié

A antropóloga – fotógrafa Patrizia Giancotti volta ao Brasil depois de muitos anos. A convite da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié, a pesquisadora que com exposições, palestras, livros, reportagens e programas no Rádio Nacional da Itália, valorizou a cultura da Bahia, e que recebeu a condecoração do Cruzeiro do Sul por conta dos seus trabalhos de divulgação cultural, volta para terra, onde protagonizará palestras sobre os intercâmbios culturais entre Brasil e Itália.

Nesta ocasião ela apresentara palestras com projeção de imagens como “Histórias de uma valiosa contribuição” homenageando italianos relacionados culturalmente ao Brasil, “Visões do Brasil na Itália” com o relato dos trabalhos sobre o Brasil desenvolvidos na Itália, incluindo as obras dos seus alunos da Academia de Belas Artes sobre a cultura da Bahia. Por fim, com a apresentação “Na rota das Sereias”, esta ligação entre os dois países vai para o lado do mito e da espiritualidade, conectando o Sul da Itália com a Bahia, tradições da antiguidade a rituais contemporâneos.

Felisquié no noticiário italiano de 26 de setembro, na Rádio Vaticana.




Noticiário italiano de 26 de setembro, na Rádio Vaticana, ao minuto 8.15 c. , depois da voz de Papa Leone, podem ouvir uma reportagem em que se fala do evento na Câmara dos Deputados que aconteceu aem Roma, migração italiana, Jequié, Trecchina, Sante Scaldaferri e o Prêmio a ele entitulado na Felisquié.

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IX Felisquié lançada em Salvador

Com a presença do presidente da Academia de Letras da Bahia, Aleilton Fonseca, do assessor chefe da Fundação Pedro Calmon, Anielson Santo, representando o órgão estadual, do vereador de Salvador do Partido Verde, André Fraga e do secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié, Domingos Ailton, além de professores, artistas e profissionais liberais, foi lançada na noite de terça feira, 29 de julho, a IX Edição da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié na sede da Academia de Letras da Bahia em Salvador.

Ao abrir o evento, dando boas vindas aos participantes, o presidente da Academia de Letras da Bahia, Aleilton Fonseca, destacou a história da Felisquié como um das mais importantes festas literárias da Bahia, que reúne escritores e outros fazedores da Cultura da Bahia, de outras estados brasileiros e do exterior.

O secretário de Cultura e Turismo, Domingos Ailton, agradeceu a Academia de Letras da Bahia por sediar o lançamento da Felisquié e aos palestrantes do evento, convidando o público presente para ir a Jequié prestigiar a programação oficial da festa literária no período de 21 a 23 de outubro.

Mediada pelo jornalista Elieser César, a mesa literária do lançamento da Felisquié teve início com a palestra da escritora e embaixadora da paz, Maribel Barreto falou sobre os diferentes níveis de consciência e da publicação do seu livro na Itália.

A escritora e produtora literária, Simone Adivincula, reportou as ações de promoção e intercâmbio cultural entre brasileiros e italianos.

Descendente de italianos de Trecchina, estudioso da emigração italiana e guardião de um acervo sobre o tema, o pesquisador Eduardo Sarno revelou as características dos emigrantes italianos, que foram empreendedores e incentivadores da população local para o plantio de produtos agrícolas como cacau, café e fumo, que não eram cultivados em regiões como Poções e Jequié.

Para Eduardo Sarno três fatores contribuíram para adaptação dos italianos ao interior baiano: a língua neolatina, com palavras de facil tradução o idioma italiano e a língua portuguesa; o catolicismo que unia italianos e brasileiros e a cultura europeia, que também ligava os emigrantes a população local.

Ao contrário de Salvador em que os italianos viviam dispersos, no interior baiano estavam reunidos em colônia e havia uma rede de solidariedade entre eles destacou Eduardo Sarno.

O pesquisador apontou a contribuição em diversas áreas, sendo pioneiros em usina de energia, fábrica de gasosa e cinema. Criaram a organização cultural Cassemiro de Abreu e comemoraram a abolição da escravatura em Jequié.

O escritor Domingos Ailton disse que o tema da Felisquié são as relações culturais entre italianos e baianos porque não houve apenas ações econômicas, mas troca de saberes entre os imigrantes e a população local, destacando que Carlos Marotta quando chegou a Jequié ainda adolescente de 14 anos tinha conhecimento intelectual e transmitiu para os nativos como também deve ter adquirido saberes da cultura popular das matas e do sertão de Jequié.

Respondendo pergunta do público, Domingos Ailton acredita que italianos escolheram Jequié para viver porque viram o local como região geograficamente bem localizada, sendo ao mesmo tempo borda da mata e boca do sertão, contando com uma rica biodiversidade formada pela Mata Atlântica, Caatinga e Mata de Cipó e entreposto comercial, sendo pouso para boiadeiros, tropeiros e mascates.

A Felisquié é coordenada pela Comissão Organizadora e Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié em parceria com o SESC, UESB, ACJ e NTE 22.

Prefeitura de Jequié promove “Felisquié Itinerante” e prepara 7ª edição do evento que vai celebrar 80 anos de Waly Salomão

A Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, a Felisquié, entra na sua sétima edição, contando com a realização da Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Cultura e Turismo, comissão organizadora, em parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), demais órgãos e instituições. A Felisquié celebrará os 80 anos de nascimento do poeta, compositor, ator, produtor e agitador cultural, o jequieense Waly Salomão e será realizada no período de 1 a 3 de setembro em espaços culturais da cidade como o   Centro de Cultura Antônio Carlos Magalhães, o auditório Waly Salomão, na UESB/Campus de Jequié, no Museu Histórico João Carlos Borges e em locais públicos onde o poeta percorreu durante sua vida.

Segundo o curador da Felisquié e secretário de Cultura e Turismo, Domingos Ailton, para incentivar os estudantes a conhecerem a vida e a obra do autor estão sendo realizadas nas escolas do município a “Felisquié Itinerante”. Nesta terça-feira, 1 de agosto, o encontro foi no Colégio Modelo Paulo Freire. Além de conhecer um pouco mais sobre a trajetória de Waly Salomão, os alunos tiveram a oportunidade de realizar apresentações artísticas sobre a diversidade cultural do poeta jequieense.

Para a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié já estão confirmadas as presenças do poeta, designer e cenógrafo Omar Salomão, filho do homenageado; e da   gaúcha Manoela Sawitzki,   doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade (PUC-Rio), escritora, roteirista e jornalista, do escritor   Roberto Martins; e da cantora Adriana Calcanhotto que, acompanhada do músico Pedro Sá e  com mediação de Omar Salomão, fará um papo musical com canções, poesia e conversa sobre a vivência com Waly Salomão.

Nesta edição do evento, está programada a realização de um cortejo literário, que percorrerá a Avenida Alves, com a participação da cantora Sylvia Patrícia, entoando canções cujas letras são de autoria do Way Salomão, além de muitas outras atividades e mobilizações que acontecerão durante os três dias da VII edição da Felisquié.

 

A Formação de leitores como desafio do Brasil atual é o tema da quarta edição da Felisquié

A campanha da Festa Literária “Eu giro para onde gira o sol” criada pela Publicar News prestigia o sertão de Jequié, seus escritores, personagens e poetas. O cineasta Glauber Rocha também será homenageado

Um dos mais esperados eventos literários do Sudoeste da Bahia, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, inicia a sua quarta edição no dia 28 de novembro de 2019, quinta-feira, na Câmara de Vereadores em Jequié e terá a “Leitura”, como tema principal. Os escritores Luís Cotrim, Pacífico Ribeiro, Wilson Novais, Heleusa Câmara e  o cineasta Glauber Rocha serão os principais homenageados. Com o tema “A formação de leitores como desafio do Brasil atual”, o evento vai reunir uma programação variada, conduzida por autores da literatura nacional e internacional, com conferências, mesas-redondas, palestras e lançamento de livros. 

As cantoras Ana Vitória e Flaviane vão abrilhantar a primeira noite da Felisquié interpretando as canções mais belas da MPB.  O jornalista, professor, escritor e curador da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, Domingos Ailton fará o pronunciamento de abertura: “A Felisquié representa o universo encantador do sertão de Jequié, além de promover uma interface entre a literatura e outras linguagens artísticas”, define o autor do romance “Anésia Cauaçu”. Em seguida, a educadora jequieense e Embaixadora da Paz, Maribel Barreto dará início a primeira conferência intitulada “Leitura e consciência: um diálogo transformador”. 

Na sexta-feira, 29/11, serão aguardadas, a historiadora e professora titular da UERJ, Maria Teresa Toríbio; as especialistas em marketing digital, digital influencer e produção de conteúdo, Samara Barreto, Márcia Nunes e Calila Galvão; os escritores Raiana Soares e Aurélio Nery, que vão participar da mesa-redonda “É top ler e escrever” e os jornalistas e apresentadores de TV e rádio, Carla Araújo (Rádio Excelsior) e Judson Almeida (TV Sudoeste), que vão abordar o tema “Leitura para um Jornalismo de qualidade”.

A tão esperada participação internacional da IV Edição da Felisquié vai ficar por conta do escritor e dramaturgo africano Francis Biedi, que vai fazer a palestra às 19h30, “Literatura de Camarões, ontem e hoje”, tendo como tradutora Gloria Terra, que é também agente editorial e diretora geral do Projeto Entrelinhas, que será apresentado no evento. 

Na manhã de sábado, 30/11, às 8h, o primeiro encontro da família Cauaçu será um dos destaques da Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié. Promovido pelo jornalista, escritor e autor do romance “Anésia Cauaçu”, Domingos Ailton, o encontro reunirá vários integrantes da família em uma mesa-redonda intitulada “Cauaçus – Uma história que a Bahia, o Brasil e o mundo precisam conhecer”. 

A cineasta Carollini Assis, criadora do roteiro para TV e cinema inspirado no romance de Anésia Cauaçu, será a mediadora da mesa, que terá a participação de Mecias Kawassu; Omero Lima e Aroldo Lima, neto e bisneto de Alcina, irmã de Anésia Cauaçu; Virginia Fernandes e Melissa Ferreira, neta e bisneta de Augusto Cauaçu, cujo assassinato foi o estopim para a entrada da família no cangaço. 

Cem anos se passaram desde que os Cauaçus sofreram perseguição dos coronéis e das forças policiais do governo e se dispersaram para várias localidades do Brasil, dentre elas: Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Alguns deles, inclusive, foram obrigados a mudar o sobrenome para conseguir sobreviver. 

Ainda no sábado, a professora da UESB e curadora da Fligê, Ester Figueiredo vai falar sobre “Política do Livro, Leitura e Literatura na Bahia e no Brasil”; Ela dividirá à mesa com o deputado federal Waldenor Pereira Filho, relator da Lei do Livro e vice-presidente da Frente Parlamentar do Livro da Câmara dos Deputados. 

No domingo, 1º/12, às 9h, os escritores Jocevaldo Santiago e Davi Nunes vão abrir os trabalhos com o tema “Devir e ancestralidade em poéticas negras”. Às 11h, a professora da UNEB e pesquisadora do tema “Educação em Prisões”, Kátia Barbosa fará a palestra “Leitura no Cárcere”.

 

Biografia de Irmã Dulce, um dos livros mais vendidos do país, será lançado na Felisquié

Foto: Arrison Marinho/Correio

A Felisquié abrirá espaço para autores de livros de diversas temáticas, através do programa “Um dedo de prosa e poesia, uma ação do Projeto Páginas Formando Leitores do DCHL da UESB – Campus de Jequié”. Entre os lançamentos, teremos os livros “Patuá” da escritora Rosane Viana Jovelino, “Plástico Bolha’, do escritor e professor, Carvalho Neto e “Gayroto de Programa: 5000 tons de sexo”, do poeta e escritor Valdeck Almeida de Jesus.

Uma mesa-redonda reunirá no sábado à noite, 30/11, o representante das Obras sociais de Santa Dulce, o Frei João Paulo, e o autor da biografia “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, o escritor Graciliano Rocha. O livro, que está nas principais listas semanais dos livros mais vendidos do país, será lançado no final da sua apresentação. A revista Veja considerou a obra como “a mais completa biografia sobre a freira baiana.” Esse sucesso é resultado do trabalho de pesquisa do autor, que durante oito anos, analisou documentos encontrados no Brasil, nos Estados Unidos e na Itália.

 

Jequié, Cidade Sol

Foto: Reprodução/ Site oficial da Prefeitura de Jequié

Localizada no sudoeste da Bahia, distante 360 km de Salvador, Jequié é a cidade natal de grandes nomes da cultura brasileira como Waly Salomão, Ana Cecília Costa e Zéu Brito. A “Cidade Sol” como é conhecida reúne talentos e histórias surpreendentes. É de Jequié, a primeira cangaceira do Brasil, a heroína Anésia Cauaçu, tema do romance do também jequieense Domingos Ailton. Similar a sua heroína, o jornalista, escritor e curador da Festa Literária Internacional de Jequié, também é um desbravador. Mesmo com todas as dificuldades encontradas, ele conseguiu reunir a atriz Ana Cecília Costa, a cineasta Carollini Assis e a jornalista Cristina Serra no lançamento da Felisquié em 4 de outubro na UESB. Ainda assim, enfrenta dificuldades para obter patrocínio das empresas, principalmente para comprar as passagens e pagar as hospedagens para os palestrantes convidados. O mais impressionante é que nenhum deles cobrou cachê de participação. “É tudo por amor à arte”, resume Domingos Ailton.

Em parceria com a empresa de comunicação Publicar News, a quarta edição da Felisquié é produzida pela Cotoxó Comunicação e Consultoria, editora da Revista Cotoxó, que também realiza o Encontro dos Contadores de História da Bahia e dos Escritores e Poetas do Território do Médio Rio das Contas. 

SERVIÇO: Lançamento oficial da  quarta edição da FELISQUIÉ – Festa Literária  Internacional do Sertão de Jequié – “Eu giro para onde gira o sol”

QUANDO: De 28 de novembro, quinta-feira, às 19h a 1º de dezembro, domingo, às 12h

ONDE: Câmara dos Vereadores de Jequié. O evento é gratuito, mas há necessidade de inscrição prévia. Acesse o site http://felisquie.com.br/ e faça a sua inscrição.

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO: Publicar News

DIGITAL INFLUENCER: Márcia Nunes @felisquié

INFORMAÇÕES À IMPRENSA: Domingos Ailton – WhatsApp: (73) 99855 4323

 

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO AQUI

Atriz Ana Cecília Costa, jornalista Cristina Serra e cineasta Carollini Assis no lançamento da Felisquié

Três mulheres de grande relevância no cenário cultural brasileiro participam do  lançamento  da IV Edição da Festa Literária  Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié, que acontece no Auditório Waly Salomão da UESB – Campus de Jequié, dia 4 de outubro às 19h. São elas: Ana Cecília Costa, Cristina Serra e Carollini Assis.

Ana Cecília é uma consagrada  atriz que nasceu em Jequié e tem grande projeção no teatro, no cinema e na televisão. Está atuando  no elenco da novela da TV Globo, Órfãos da Terra  já atuou em  teledramaturgias da emissora como Cordel Encantado Jóia Rara; no filme  Capitães da Areia e  nas  peças de teatro  O Sumiço da Santa  e Teresa D´Avila dentre outras produçõesAo lado  da cineasta Carollini Assis (que está produzindo  roteiro de adaptação  do romance Anésia Cauaçu, de Domingos Ailton, para o cinema e a televisão),  a atriz jequieense vai participar da mesa Leia e assiste esse livro: Adaptações de obras literárias para os palcos e as telas. Já a  jornalista Cristina Serra  vai fazer a palestra Leitura de  desastres ambientais no Brasil: De Mariana a Brumadinho e lançará o livro Tragédia em Mariana, publicação de  referência no  País  e no exterior.

A mediação da mesa e da palestra está a cargo do curador da Felisquié, jornalista e escritor Domingos Ailton, e o evento vai contar também com apresentações culturais do ator Marcos Duarte e do músico  Victor Ângelo. Na oportunidade abrirá a inscrição para quem queira  participar  como ouvinte da programação oficial da Felisquié, que vai ocorrer no período de 28 de novembro a 1 de dezembro, tendo como tema central Leitura e homenageará os poetas e escritores Luís Cotrim, Pacífico Ribeiro, Wilson Novaes, Heleusa Câmara e  o cineasta Glauber Rocha.

A IV Edição da Felisquié é uma realização da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e da Cotoxó Comunicação e Consultoria com parceria com a Secretaria de Cultura do Estado  da  Bahia  Secretaria Estadual de Educação e  da UESB através da Pró-Reitoria de Extensão – Proex e dos projetos e programas Estação da Leitura e  Páginas Formando Leitores.

Ascom da Felisquié

SUSPIROS DE UM TROVADOR

DIGITAL, 2016, 70 MINUTOS

SINOPSE

Suspiros de um Trovador é um filme documentário que revela a vida e obra do poeta popular alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante (1917-1986). Seu filho e cordelista, Isaías Cavalcante – Ismoca, persegue sua vida pela Bahia, Alagoas e Rio de Janeiro e vivencia sua obra literária, seja declamando poesias, lendo cordéis, negociando livretos nas feiras, ruas e também reencontrando amigos e poetas.

FICHA TÉCNICA

Direção e Roteiro: Marcelo Rabelo

Direção de Fotografia e Câmera: Nicolas Hallet

Produção Executiva: Eliana Mendes

Direção de Produção: Valdelice Rabelo

Produção: Associação Sociocultural Umbigada

Assistente de Produção: Isaías Cavalcante, Jurisvaldo Alves, Israel Cavalcante, André Cavalcante, Zé Andrade, Zé Mário

Técnico de Som: Thiago Torres

Assistente de Fotografia e Câmera Adicional: Wallace Nogueira

Montagem: Wallace Nogueira

Finalização de Áudio: Glauco Neves

Pesquisa: Isaías Cavalcante, Marcelo Rabelo, Odilon Sérgio, Valdelice Rabelo

Animação: Maíra Moura

Xilogravuras em animação: Erivaldo Oliveira

Xilogravuras em reprodução: Franklin Maxado, Minelvino Francisco

Direção de Arte: Gabriel Arcanjo e Valdelice Rabelo

Motorista: Reinaldo dos Santos e Junior Finizola

Design Gráfico: Walter Mariano

Trilha Sonora: Bule Bule, Antonio Queiroz e Téo Guedes

Técnico de Som trilha sonora: Elias Assmar

Música Trilha sonora final: Antonio Queiroz

Tradutor: Carlos Prudencio Alonso (Espanhol) e César Zanin (Inglês)

Filmes de arquivo: “Mestre Pastinha: O Rei da Capoeira Angola” de Paulo Sá Vieira e “Rodolfo Cavalcante – Poeta de Cordel” de Jorge Luiz Mascarenhas

Imagens de Arquivo:  Acervo Família Cavalcante

Realização: Associação Sociocultural Umbigada

Apoio Financeiro: Secretaria de Cultura do Estado da Bahia/Fundo de Cultura

Apoio: Museu do Sertão (UEFS) / Núcleo de Literatura de Cordel/Funceb / Dimas (Diretoria de Imagem e Som da Bahia) / Restaurante da Chiquita / Vogal Imagem / Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel

Agradecimentos: Família Cavalcante (Salvador/Jequié/Maceió), Paulo Sá Vieira, Carlos Modesto, Domingos Ailton, Gráfica Lelian (Jequié), Cristiana Barbosa, Ana Lúcia Reis Fonseca, José Amorim e Luiz Amorim, Val Rodrigues, Circo Barcelona, Academia Brasileira de Literatura de Cordel.